Apesar de especialista e adorador da pornografia, não acho que este humilde blog seja o local para tão fortes imagens. Pois além da concorrência quase deslal, que os sítios especializados poderiam fazer, há leitores que andam por demais carentes... Seria quase um "maltrato". Há moços solitários e já desgastados de tanta rude masturbação e moças de bom-gosto que começam a ter os dedos finos... Bem, há pornografia que tem muita elegância, quase um pé na arte pictórica elevada do mundo contemporâneo. Quase. Pois ainda há o que se crescer parar merecer tão elevado status. E ainda é rara como estilo. A avassaladora produção do gênero ainda é estreitada em fórmulas apenas excitantes. Desassociada de qualquer outra apreensão, seja pela música, seja pela imagem.
Caetano Veloso, genial que é, poderia bem fazer a trilha sonora. Um pornô com trilha de Caetano Veloso seria no mínimo bom. A edição de Daniel Rezende, por exemplo, cujo trabalho em Cidade de Deus mereceu mesmo cada um de seus prêmios e indicações. A direção? Pena que Arnaldo Jabor tenha se tornado este chatíssimo comentarista político. Mas creio que Daniel Filho, com sua larga experiência em sacanagem, em qualquer sentido, certamente saberia o que fazer. Para o elenco não faltariam estrelas e nem creio que precise nomeá-las... Mas não vá pensar em nomes do tipo Rita Cadillac, por favor. Digo de mulheres cuja beleza é um verdadeiro crime, tais como Aline Moraes e Letícia Sabatella. Os homens, numa pornografia, mesmo a melhor delas, quase nem tem a menor importância, contanto que sejam homens e gostem do trabalho.
Bastaria, então, uma bela fotografia e um roteiro que não desrespeitasse a inteligência alheia. Que fosse tão simples quanto engenhoso, tão lascívo quanto provocante, tão explícito quanto lírico. E, ainda, tão sujo quanto limpo, claro, noturno, Baco e bacantes, elegante e assustador. E sem filosofia demais, como nalguns clássicos de Bertolucci, os quais podem e devem ser o que são, uma vez que são dramas e não pura e doce pornografia.
E deveria, afinal, ter um texto escrito por quem conhecesse Marquês de Sade, Ovídio e Laclos; que já tivesse ouvido e dito também tanta boa sordidez e, sobretudo, soubesse o quanto é bom ouvir aquela voz, a dizer em palavras simples tudo aquilo que o corpo, naquele instante, sente.
Para maiores de 18 anos, por favor, um exemplo de classe, neste vasto mundo sujo da rede mundial de computadores.


























