Vez ou outra a gente percebe que está para viver uma nova fase, etapa, não sei ao certo o que melhor definiria algo que é tão somente um emaranhado subjetivo de idéias. Mas a sensação, a qual nem sempre se confirma, ao menos existe, tilintando dentro da cabeça entediada e já cansada de certos vícios e martelos e pregos e coisas que se assemelham a um filme que a televisão repetiu dezenas de vezes. Mesmo que gostemos da obra, nos irritamos com a repetição que não nos permite ver o mundo de modo diferente. E como a vida é bem curta para grandes repetições, vivamos e experimentemos outras ondas neste imenso mar: e que eu enfim aprenda a colher os frutos que tenho plantado há mais de duas décadas. Que finde a desordem onde apenas deveria haver trabalho.
E que meu imaginário leitor possa compreender tamanho desabafo!
Já lhes falei de Johnny Cash? Não? Ora, a minha memória vai se dizimando a cada dia e... De qualquer forma, tendo falado ou não, assistamos a três bons momentos deste grande músico americano. Comecemos com um inacreditável dueto: Cash e Louis Armstrong, em 1970. Para os ouvidos ejacularem mil vezes. Depois, não menos interessante, Johnny Cash e June Carter e a animada Jackson. Para findar o deleite, Cash canta Ring of fire, clássico bacana. E fica a sugestão: veja Johnny & June, filme de 2005, com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, e conheça a vida e obra danada do sujeito.
A moça acima ilustrará a capa desta semana: Sophie Ellis-Bextor. Eu, cá no meu canto do mundo, jamais havia ouvido qualquer palavra sobre a moça. Mas o que me disse o tal Wikipédia é que no país do Big Ben a moça faz sucesso como ninguém. Eu, cá no meu canto do mundo, ouvi. Achei bacana, animado e tudo o mais. Deixo abaixo dois de seus vídeos, I won't change for you e My imagination. Nada espetacular, mas nada que mereça a lata do lixo dos julgamentos estéticos. Sobretudo porque a jovem canta com alguma meiguice. Inglesa, é bem verdade. Para o sítio oficial, clique aqui.
Muitas as aquarelas. Primeiro, Toquinho, em animação famosa nos anos 80. Depois, Walt Disney e sua interpretação para o clássico de Ary Barroso. Por fim, Gal Costa. Diversão garantida para os ouvidos e olhos de muita gente.
Ontem eu assisti ao nauseante e espetacular show da leonina Madonna, The Confessions Tour, em meu humilde televisor de grandes proporções. E como é bem provável que este show será revisto por mim ainda umas dez vezes, deixo aqui um pedaço memorável de tão moderno espetáculo. Like it or not, em interpretação inspirada. Um DVD imperdível, por motivos diversos.
Com algum atraso, disponibilizo a capa da edição de 25 de março, época em que eu estava começando a me ocupar com a nobre tarefa de escrever Fenices. Naturalmente, esta capa nasceu feito um parto de criança entalada, uma vez que de minha memória surrada esvairam-se as padronizações de pixels e tudo o mais. Mas assim vai, do jeito que me for possível, no que tempo que me restar.
A tarde já não me parece como a manhã e vem mais barulhenta e de uma secura inapelável. Muitos foram os goles de água e café, mas o que nos cerca é apenas uma quentura de deixar as narinas quentes. E mesmo o movimento das coisas todas veio para abundar uma ligeira vertigem por entre as horas desta terça-feira ainda tão boba. No mais, andava eu procurando por uma certa imagem, por conta de um trabalho que agora faço, e reencontrei o sítio La Scultura Italiana, bem bacana página para revisitarmos um Rodin, acima, ou um Girardon, abaixo. Não é exatamente um sítio grandioso, com vultuosas galerias - mas é certamente um bom ponto de partida para aquele que desejar ver arte de gente grande, nesta terça-feira de tamanho incerto.
Hoje o mundo me pareceu modorrento, logo pela manhã, sem gente combinando felicidade, sem sorriso que esparrama mesmo nos mais feios vagões do trem de grandes ruídos. Nada. A terça-feira me pareceu cansada, vivida pela obrigatoriedade existencial, a qual certamente não nos permite descansos de qualquer tipo. Pareceu-me de repente que todos os milhares de transeuntes daquela Barra Funda fria tiveram como eu uma noite mal dormida, resvalada em tosse seca e sonhos de nenhum conforto. Pareceu-me que ninguém estava feliz e que jamais qualquer um de nós se lembraria desta manhã, deste dia, em algumas semanas. Que jamais nos recordaríamos desta terça-feira fria e quente, poluída de nos deixar a cabeça tonta - porque não há mesmo o que se lembrar de tão anódina hora.
Mas vez ou outra o universo faz disso: inventa manhãs difíceis e tediosas pra que a gente tenha raiva, insegurança, consciência. Pra que a gente reflita sobre a sobrevivência, sobre a usança que a gente faz da própria vida. Em geral, convenhamos, o resultado destas reflexões canhestras não é sempre positivo. Quase nunca é. A atmosfera tem força de nos levar para baixo a cada segundo, cada vez com mais peso de carregar nas costas.
Manhã desassossegada. Manhã de querer morrer um pouco, por alguns dias. E nem por isso exatamente ruim. Quem puder compreender, que saiba: os paradoxos nos engendram. Às vezes é bom pisar num chão duro e irregular.
Obs.: para a alegria da manhã, Portishead, com o clássico Glory Box.
Há quem diga que ainda não temos idéia do que será a internet em algumas décadas, que a mídia é ainda nova, recém inventada. Dos blogs, então, não seria diferente a conclusão de que muito pouco se sabe sobre tão interessante atividade. Não é por acaso que blogs nascem e morrem com uma velocidade razoável e muitos renomados blogueiros passam - amiúde - por incertezas e dúvidas no momento de realizar alguma postagem e estruturar seu blog.
Cá no meu canto, não me considerando um nato blogueiro, tenho fé num conceito que vai na contramão dos mais afamados e visitados blogs deste país: não quero novidades, não quero propagar a febre do momento, não quero mostrar as fotos de moça nua que ainda está nas bancas de jornal. E, sobretudo, não espero ser popular: fazendo uma revisão de tudo o que postei durante um ano, estive em geral resgatando vídeos e músicas e imagens que não correm em todas as páginas, mesmo que jamais tivesse a intenção malígna de fazer beneficiência virtual. Não tenho mesmo este interesse: o mundo precisa de educação, é certo, mas não serei eu o educador. Sou lúcido demais para me transformar em lunático que ergue bandeira e luta por um ideal tão pouco compreensível.
E se alguém me pergunta, eu respondo: apenas não se regozija com a arte e a cultura quem não quer. Quem prefere outra coisa, pois bem. Lamento e mando boa-tarde. Só.
Assim, respondo mesmo uma pergunta que me fiz certa vez, numa inocência de me envergonhar. Hoje já não penso em divulgação, não penso em mandar e-mail, não penso em pedir visitação de amigos. Nada. Nem desejo ter contadores, mapeamentos do Google ou seja lá o que for. Eu me regozijo na simplicidade da quietude.
Se alguém passar por aqui, terei mais motivos para alguma alegria. Entretanto, não farei alarde. Não sigo mais em busca de um conceito.
Obs.: depois deste pequeno blá-blá-blá sem hora, justifico a postagem com Bruce Springsteen e a canção Brilliant Disguise.
Meus imaginados leitores, estou de volta. O que não deve significar muito, tendo-se em vista que para os meus imaginados leitores eu sempre estive por aqui. De qualquer maneira, senti-me saudoso de tantas postagens cuja finalidade única é a alegria dos leitores existentes em minha imaginação de profusão incerta. Não findei ainda com o meu segundo romance, mas estou certo que uma pausa lhe trará benefícios certos. Ora, é agosto e eu ando mesmo tomado de absoluta preguiça intelectual, desejando nada mais que alguns dias de calor e tempo ocioso para tocar algumas músicas do Bob Dylan, enquanto o mundo segue seu rumo.
Aliás, entre tanta vida pra viver e difíceis coisas para aprender, sonho eu com um universo paralelo em que trabalho por duas horas semanais e passo mais de dez horas diárias a cantar Girl of the north country e Mr. Tambourine Man e me entregar a esta deliciosa tarefa de fazer música no silêncio.
No entanto, mudei eu ou a minha disposição para um blog salvador da raça humana se desfez pelo caminho. Portanto, não prometo muito. Vou pisando leve, nada prometendo. Agora, ouçamos o tal Bob Dylan e a antológica Girl from north country.