domingo, outubro 01, 2006

Objetos de desejo ou conversa de homem velho.

Em trinta anos um homem qualquer teve já uns 3000 objetos de desejo... A imaginação é farta e vai longe o pensamento. Vai de volta para o futuro, em multiplicações e combinações diversas. A atriz daquela novela, a modelo daquele catálogo, a vizinha que lava o carro, a prima de cara esperta, em toda a sorte de cantos: a praia, o claro, o escuro, o carro, o mundo. E até a imaginária foda em distantes terras, distantes tempos, numa sempre perfeita combinação exótica de gente e espaço. Porque mesmo a masturbação mais inocente prevê um contexto verossímil. Sem esse eixo lógico não há excitação. É necessário estabelecer mesmo os segundo anteriores ao gozo sonhado - que a beleza e o espanto sustentarão aquele tesão danado.

Sei de um caso em que a moça sonhava com a pegação num quintal, entre a roupa estendida, mangueiras e os cães. Mas imaginava também o homem certo, forte como um entregador de gás. E assim compunha na mente o pequeno curta-metragem necesário ao gozo. Outro caso, um sujeito amigo confessou-me gostar de onanismo com cerveja. Mas a cerveja não era naquele momento uma bebida. Um desidratante, talvez.

Há aqueles que gostam sempre dos mesmo tipos de moça. Outros preferem ouvir Sex Pistols. Cada coisa... Mas pouco se conversa sobre isto. Muito se presume, se especula. É o mistério dos mistérios! Já lhes disse: em meu tempo de moleque não havia tantos recursos e colheres de chá aos adolescentes. Uma fotinho pequenina bastava. Uma foto sem nu servia. Uma foto de um rosto, na capa de uma revista de cinema. Ou até um vídeo clipe na televisão.

Esta semana, no sentido literal, homenageio um objeto de desejo de muitos e muitos marmanjos (e muitas marmanjas, também) nos últimos vinte anos. A inesgotável Madonna, que já teve todas as caras possíveis e é provavelmente a grande artista feminina da história do mundo pop, tal qual Elvis Presley o é no mundo masculino. Pra começar, compreensível leitor, uma boba música daquelas horas, Cherish.

Crônica Dominical

A ciência pôde comprovar, para quem quisesse ver. A masturbação faz bem a qualquer um. Inclusive é indicada para se evitar algum tipo de câncer. Médicos recomendam para o alívio do estresse, sociólogos atentam para o controle de natalidade. Não sei ao certo, mas alguns recomendam a masturbação para a devida equalização da energia sexual - perturbadora aliás, quando por excessos se desencontra. Mas não bastasse o progresso e o rumo que toma a civilização, a masturbação ainda é vista como a ridícula manifestação solitária. Ou como julgou o psicanalista argentino Ariel C. Arango, em seu livro Os palavrões, a masturbação seria a máxima das frustrações. Coisa de gente fraca, sem eira e beira.

Eu cá no momento, fico entre aqueles que vê na coisa o que tem de bom e o que tem de mau. Um mau, no entanto, que é tão necessário que chega a ser natural para os corpos todos. E de quem são estes corpos? Quem é que se toca nos entretantos secretos? Que faz todo mundo na ausência de olhos alheios e com o tesão a mover o fluxo sangüíneo? Ah! segredos... Há gente que faz o "arco da velha" e ninguém sabe, sabendo só das aparências elegantes, dos vernizes que nada ofendem. Tantas moças que vejo e conheço. Tantas moças de dentes claros e maneiras pudicas. Qual delas será a que bem viaja, goza com a cara torta sem dar importância a nada. Quem é que se masturba?

Um tema sempre renegado por todos, por vergonha sem critério. Creio ter conhecido nesta longa vida tão somente uma única moça que bem divulgava sua predileção pelos onanismos emocionados, com canção e chocolates. Ela sempre arquejava... Era naquele tempo um sinal vitorioso de combate às repressões sexuais. Hoje em dia as sociedades começam a melhor compreeder o importante sexo solitário. Compreender e valorizar, aliás. Nos meus dias de moleque não havia internet e tanta sacanagem da boa espalhada, pronta para um download rápido. Havia tão somente algumas revistas cretinas e aquela Sala Especial, às sextas-feiras, que a Record pré-evangélica apresentava. Filmes que vez ou outra eu revejo no Canal Brasil e me parecem tão inocentes e pouco excitantes quanto a foto de um esquilo. Mas a mocidade de agora pode, sem esquisitices, encontrar o que bem lhe aprouver. Há sítios eróticos para todas as taras. Lésbicas, orgias e até anões. (Há sujeira e prazeres bem condenáveis - como as relações de alguns com cães e cavalos. Mas nada nesta vida vem desgarrado de seu lado negro ainda mais negro).

E não só a mocidade se regozija. A masturbação é um fazer que nos seduz bem cedo e segue com a gente. Alguns afirmam jamais ter entregue suas mãos a tais alegorias. Eu duvido, caro leitor, que tudo isto seja verdade. Ou se a verdade for certa, me espanto ainda mais. Tão bom é exercitar a imaginação, escolher daquelas taras irresolvíveis, sem dar satisfação a ninguém. Bom é gozar. O resto é existência. E até por vezes um vício se instala. Um vício dos diabos que só se enfraquece se conosco há aquele outro corpo... aquela combinação de favores... aquele movimento de muitos ritmos... Mas se não chega a curar o vício, arrefece. Ou justifica ainda mais cada uma das homenagens prestadas.

Canções Vespertinas.

Uma pequena novidade. Sempre no blog, escutemos canções matutinas, vespertinas ou noturnas. Não sei se diariamente. Mas sempre que for a hora, uma boa canção virá. Pra começar, neste domingo oculto, Johannes Brahms e sua Dança Húngara n.° 5. Uma típica canção exemplar para as tardes deste novo outubro.