domingo, outubro 22, 2006

Problemas técnicos - A semana que não houve

Por algum motivo não sabido, estou enfrentando problemas técnicos com esta operadora de blog, que começa a me parecer desconcertada. Não estou conseguindo escrever qualquer coisa que fique entre os dias 15 e 21 de outubro. Isso tudo porque fiz a besteira de acreditar que a versão beta seria melhor...E o problema é: que faço eu?

Para evitar que algumas boas postagens se perdessem, até que tudo se regularize, toda a semana passada estará inserida no domingo dia 22 de outubro.

E como eu não sou de ficar reclamando do imponderável, HOJE deixará de ser dia 16 e será dia 23! Eureka! Vou postar esta semana, como se já estivéssemos lá, ou melhor esclarecendo, porque mesmo eu não entendi: vou postar devagar e sempre, sem atropelos, até que no dia 26 de outubro estejamos mesmo no dia 26 de outubro...

Hum... Creio que ninguém me entendeu. Mas nem mesmo eu. Sigamos com a vida, que tudo está bem certo.

Obs.: se consertarem os problemas, tomo outra resolução.

90

Ocupando a 90ª colocação, entre as canções que eu mais aprecio, MPB4 e a inventiva Amigo é pra essas coisas. Abaixo, segue a letra da canção, para que todos cantem, animados ou não.


Amigo é pra essas coisas

Salve, como é que vai...
Amigo a quanto tempo...
Um ano ou mais.....
Posso sentar um pouco?
Faça o favor.
A vida é um dilema...
Nem sempre vale a pena...
Ah...
O que é que há?
Rosa acabou comigo.
Meu Deus, porquê?
Nem Deus sabe o motivo.
Deus é bom!
Mas não foi bom pra mim...
Todo amor um dia chega ao fim

Triste!
É sempre assim...
Eu desejava um trago...
Garçon, mais dois!
Nem sei como eu lhe pago...
Se vê depois...
Estou desempregado.
Você está mais velho...
É!
Vida ruim...
Você está bem disposto.
Também sofri.
Mas não se vê no rosto.
Pode ser...
Você foi mais feliz...
Dei mais sorte com a Beatriz!

Pois é...
Tudo bem...
Pra frente é que se anda.
Você se lembra dela?
Não.
Lhe apresentei...
Minha memória é fogo...
E o l'argent?
Defendo algum no jogo.
E amanhã?
Que bom se eu morresse!
Pra que rapaz?
Talvez Rosa sofresse...
Vá atrás...
Na morte a gente esquece!
Mas no amor a gente fica em paz.

Adeus.
Toma mais um...
Já amolei bastante.
De jeito algum...
Muito obrigado amigo.
Não tem de que.
Por você ter me ouvido.
Amigo é pra essas coisas...
É.
Toma um Cabral.
Tua amizade basta.
Pode faltar.
O apreço não tem preço.
Eu vivo ao Deus-dará!

(Sílvio da Silva Junior e Aldir Blanc)

Crônica Dominical

Envelhecer não é mesmo a melhor coisa desta vida. Mas ao menos vão se acumulando histórias, nossas e alheias. Anedotas de tudo o que é tipo. Algumas, aliás, engraçadas além do possível. A qualquer hora seria bom tudo pesar, colocar em imaginária balança, ter algum juízo do que tem sido esta vida. Alguém mais tem feito disso ultimamente? Algum dos meus tão bem educados leitores tem se dado ao luxo de ponderar sobre o passado? Sabemos bem como é a memória. Nunca nos dá de uma vez toda aquelas imagens desbotadas num mesmo instante. Nos poupa de muito desgosto e nos dá a chance de ignorar alguns resultados. Alguém saberia nos dizer, por favor, quantas vezes teve medo? Sim, caro leitor, aquele medo que nos faz perder a firmeza das pernas e traz suor à testa. Quantas vezes, então, sentiu a morte bem perto, como naquele quase atropelamento assustado? Ou como naquela febre que trouxe delírios e sede. Quantas vezes a dor? A dor de chutar o pé da cama, a dor de um ouvido estourado, de um estômago doido, revirado, que dói mesmo é na alma, se alma houver. E aquela torção no joelho? E dente que vai maltratando a cabeça toda, as mãos e os pés. Quantas vezes?

Como eu gostaria de me lembrar de quantas vezes eu copiosamente chorei, pedi arrego, implorei de pé junto, fui ridiculamente um fraco. Quantas vezes eu fui covarde? Ó, como saber! A memória até nos traz um pouco do que houve, mas jamais nos faz inventário. E seus filtros de pesquisa são inferiores aos que encontramos no Google. Seria bom saber, se 17 ou 36 ou 834, quantas foram as ratas, aquelas palavras erradas a estragar uma noite que bem seria de prazer e foi de frustração. Quantas foram, exatamente, em gráficos e percentagem, as vezes em que fiz algo que sabia ser errado, mas fiz, por falta de juízo ou de vergonha. Ou quantas e quantas foram as vezes em que fui esnobe, calhorda ou esperto. Hum! Eu queria mesmo todos estes números - um relatório de atividades completo, que seria inclusive comparado aos dados da planilha alheia.

Quantas vezes cada um foi herói, nobre, tendo feito a alguém alguma certa caridade? Quantas vezes nos esfregamos a quem achavamos de uma feiúra ímpar, apenas por um aproveitar da ocasião? E quantas vezes cada um de nós bateu no peito com orgulho, se dizendo filho-da-sorte, sorrindo e agradecendo aos deuses? Ora, já me bastaria saber quantos foram os pedaços de torta que eu derrubei no chão e quantas as mulheres eu não tive a chance de beijar, por pavor ou burrice. Sabe aquele gol feito, sem goleiro e zagueiro, só a bola a nos acompanhar, que a gente perde por chutar por demais confiante ou por churar sem confiança alguma? Claro que sabe. Todos nós já perdemos certas horas de glória... Deixamos escapar por entre os vãos da mão boba.