domingo, dezembro 03, 2006

70

Apesar de ocupar tão somente a 70ª posição entre as 100 canções que mais me (co)moveram por esta vida danada, Something é uma paixão dos diabos... Creio até que seja a música que mais ouvi, entre todas, incluindo-se todas as suas versões. Entre as melhores, uma que Paul MacCartney e Eric Clapton nos mostraram numa homenagem póstuma ao mestre George Harrison. Outra é esta, que Shirley Bassey gravou nos anos 70. Talvez seja uma das canções que poderia rolar no meu (eventual) velório, enquanto todos estivessem a comer um belo pão com mortadela e a beber um forte gole de café.
Something

Something in the way she moves,
Attracts me like no other lover.
Something in the way she woos me.
I don't wanna leave her now,
You know I believe, and how.

Somewhere in her smile she knows,
That I don't need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don't wanna leave her now,
You know I believe and how.

You're asking me will my love grow,
I don't know, I don't know.
You stick around now, it may show,
I don't know, I don't know.

Something in the way she knows,
And all I have to do is think of her.
Something in the things she shows me.
I don't wanna leave her now.
You know I believe and how.

(George Harrison)

Crônica Dominical

Não. Nem tudo é perfeito. Nem mesmo o mais belo dia pode ser perfeito. Nem mesmo a paz. Nada é exatamente como se sonhou, como se desejou naquelas horas de imaginar... E quando tudo nos parece um sorvete de cocaína e morangos, eis que surge o malfadado segundo... Me diria Chico Buarque, se fizesse parte daquele meu seleto grupo de desafortunados amigos: é a Roda-Viva, que carrega tudo pra lá... Me diria também aquele sujeito poeta de terras distantes: resigne-se, antes que seja realmente tarde para alguma resignação...

Na ocasião de uma certa tragédia pessoal, há muitos anos, eu, sem muito entendimento de muita coisa dessa vida, cometi a bobagem de me enraivecer, xingar aos quatro ventos, cercar-me de alguma braveza sem fim. Gritei, berrei, andei por quilômetros e quilômetros, pé após pé, cambaleante. Até me peguei batendo os braços numa certa parede, espancando-a, enquanto minhas mãos começavam a sangrar... E eu lhe pergunto, curioso internauta, pra quê?!

Não creio que tenha alguma utilidade qualquer tipo de auto fragelo. Mesmo que naquele momento eu soubesse que se tratava de uma fúria que não cabia em mim, não deixava de notar o quanto é inútil reclamar... Ora, a vida não é perfeita. Nunca é. Nunca.

Se o pudim no garfo vai, em direção à sua boca... e de repente cai. Acalme-se. Se as pratas voam para o seu bolso... e de repente somem, acalme-se. Se a noite era pra fazer inveja a Casanova... e de repente nada, acalme-se. Gritar ajuda? Chorar, beber, tremer... Pra quê? Até nos dá vontade... mas pra quê? Se não era para eu beber daquele leite, não vou chorar por ter-se derramado todo... Deixa pra lá. Logo eu esqueço. Como tantas e tantas tristezas que eu guardo num baú pesado e grande. De uns dez quilômetros. Do tamanho de minha cidade.

sábado, dezembro 02, 2006

Há vinte semanas.

Há cinco meses eu começava esta divertida terapia de doido, neste blog. Vez ou outra, quando eu me sentia um traste, corria para uma nova postagem... Eu sei, senhores doutores da academia, é meio boba essa coisa de escrever, como se houvessem milhares de olhos e ouvidos solidários... Como se a minha febre de qualquer coisa pudesse interessar a alguém. Ora, mas eu já disse por aqui, há alguns meses: é o exercício que me agrada. Um exercício de escrever e pensar em coisas, suavemente. Sei que há um punhadinho de leitores, gente compreensiva comigo... Mas a brincadeira é uma bateria de flexões e polichinelos para o cérebro. Que afinal é de contas é também um músculo - e se há sedentários, os há também para o intelecto. Sedentários intelectuais incapazes de mover um metro de idéia.