segunda-feira, dezembro 18, 2006

Adeus ao Orkut.

Mesmo me sendo uma ótima ferramenta de comunicação, depois de muita chateação (e tudo o que eu não quero na vida é chateação), deletei minha conta no Orkut. Nesta vida de merda, algumas vezes nos vemos obrigados a ceder. A calar. A enfiar goela abaixo um punhado de contrariedades.

Mas é melhor calar. Neste momento eu seria capaz de dizer muito. E o momento agora é de silenciar e saber que há dias que devem ser esquecidos, a todo custo.

domingo, dezembro 17, 2006

Crônica Dominical

O congresso nacional é efetivamente um lixo. Nem o digo por causa de um certo aumento discutido esta semana. Esse deslize moral não é absolutamente nada, diante de tantas outras ofensas ao eleitor panaca. As insituições deste país, todas elas, são lixo. As pastas de dente vendidas aqui são lixo. mesmo as locadoras e lojas de qualquer coisa, em geral, são lixo. Os trens são lixo. Os ônibus, lixo. As agências bancárias e os estapafúrdios atendimentos automáticos são lixo. Os móveis que compramos, em sua grande maioria, são verdadeiros lixos, feitos para durarem por uns dois anos, no máximo. Nossos aparelhos de som são verdadeiras porcarias. A água que bebemos deve ser um lixo, mas não o afirmo com toda certeza, uma vez que jamais bebi água de outro canto do mundo. Nossa internet banda larga é um lixo tremendo. Nossas escolas são um lixo. Um lixo que produz gente ignorante e mais lixo. Até mesmo nosso asfalto é lixo.

Fico meio na dúvida se eu e mais os outros brasileiros são também lixo. Talvez sejamos todos. Lixo. Gente que reclama e nada faz, a começar por mim. Que seria incapaz de seguir adiante com algum protesto. Mas o que não cabe, não obstante a nossa fragilidade conceitual, é este eterno reclamar, prática tão bem digerida por aqui. E não há coisa que mais tenha me irritado nestes últimos tempos. Amigos reclamam de seus empregos. Reclamam da falta de tempo e vontade para o exercício do prazer. Reclamam das mulheres, da mesma maneira que as mulheres têm reclamado dos maridos. Todos a reclamar de tudo.

Reclamar é um direito, vá lá. Mas apoiando-se neste direito, todos nós deixamos de fazer, encontrar um novo meio, um novo caminho ou seja lá o que for. Fica-nos cada vez mais a máscara da frustração. Que isso acabe! Que comecemos a tomar atitudes, mesmo as mais descabidas, e deixemos essa masturbação inútil, sem gozo.

Que então todos deixem os espertos deputados. Deixem. Ou façam algo, gritem e matem um por um, até que alguns, pelo medo, tomem alguma vergonha na cara. Que sequestrem empresários ou os diretores banqueiros ou o secretário de transportes. Exijam o que nos é de direito, o que é melhor. Que alguns internautas descontentes explodam algum departamento da Telefônica ou da NET. Façam isso. Mas, por favor, acabemos com as reclamações que nada acrescentam.

Vivemos num baita lixo tropical. E é bem provável que este povo já abduzido pela ignorância e pela falta de esperança não tenha mais a menor vontade de lutar, procurar por melhores dias.

sábado, dezembro 16, 2006

O abnegado.


Vai acabando o ano. E todos já começam a enfeitar a árvore ou outra coisa que possa receber luzes, como o portão e a janela. Alguns compram presentes e outros os recebem. Eu mesmo me darei alguma coisa. Um sapato, talvez. Pra melhor pisar na velharia do mundo. Ou um novo par de óculos para que eu possa ver com mais clareza, sem névoa, o desassossego. Ou até mesmo um velho livro sobre um tal de Pantagruel. Um presente que me dê algum alívio, algum descanso. Talvez algumas horas de sono no hotel mais silencioso da cidade.