Balada do Esplanada
Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.
É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.
Eu queria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel
No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
É o hotel
Do menestrel
Pra me inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel
Mas não há, poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel
Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
(Oswald de Andrade)
segunda-feira, janeiro 08, 2007
60 anos e dever cumprido.
Hoje, 8 de janeiro, é aniversário de David Bowie. Também o é de Elvis Presley. Duas figuras lendárias e essenciais para a cultura deste planeta. Elvis, falecido há 30 anos, nem mais envelhece - permanece exatamente o mesmo - ouvi-lo hoje é ainda ouvi-lo como há três décadas; Bowie chega aos 60 anos. Dever cumprido de compositor e artista. E ainda se dá ao luxo de continuar.
Chego a acreditar que os expoentes do século XX ainda voltarão ao topo das paradas de sucesso. Em 2035, Suspicion Mind voltará a ser um infernal hit. Ou Changes, em 2189, voltará a ser campeã de execuções em alguma rádio virtual futura. Impossível crer que, passados os anos, tais expoentes sejam afinal considerados velhos e distantes, como chega a ser hoje Monteverdi ou Bach.
Até se supõe que muito do que hoje agrada aos ouvidos será esquecido, apagado de todos os possíveis registros. Natural que seja assim. Mas Elvis, Bowie, Beatles, Sinatra, entre outros, deverão ainda permanecer como são por centenas de anos. Tal qual hoje ainda se cultua Mozart, Beethoven e Chopin, alguém ainda cantará My Way no fim deste século e pensará no quanto fomos privilegiados.
Para um novo renascimento, uma nova revolução social. Uma revolução que deve ser associada a uma bonança capital e uma intensa conjugação de raças e línguas. Um salada confusa de gente e idéias que permite e exige a expressão de tantas e tantas cabeças.
Bowie chega aos sessenta anos. Viverá ainda uns trinta e tantos anos. Viverá pra ver que a sua obra terá ainda uma longa permanência. Ao menos até a próxima revolução cultural, que virá talvez em algumas centenas de anos.
Chego a acreditar que os expoentes do século XX ainda voltarão ao topo das paradas de sucesso. Em 2035, Suspicion Mind voltará a ser um infernal hit. Ou Changes, em 2189, voltará a ser campeã de execuções em alguma rádio virtual futura. Impossível crer que, passados os anos, tais expoentes sejam afinal considerados velhos e distantes, como chega a ser hoje Monteverdi ou Bach.
Até se supõe que muito do que hoje agrada aos ouvidos será esquecido, apagado de todos os possíveis registros. Natural que seja assim. Mas Elvis, Bowie, Beatles, Sinatra, entre outros, deverão ainda permanecer como são por centenas de anos. Tal qual hoje ainda se cultua Mozart, Beethoven e Chopin, alguém ainda cantará My Way no fim deste século e pensará no quanto fomos privilegiados.
Para um novo renascimento, uma nova revolução social. Uma revolução que deve ser associada a uma bonança capital e uma intensa conjugação de raças e línguas. Um salada confusa de gente e idéias que permite e exige a expressão de tantas e tantas cabeças.
Bowie chega aos sessenta anos. Viverá ainda uns trinta e tantos anos. Viverá pra ver que a sua obra terá ainda uma longa permanência. Ao menos até a próxima revolução cultural, que virá talvez em algumas centenas de anos.
Oferecido por
Gérri Rodrian
domingo, janeiro 07, 2007
Crônica Dominical
Viver bem é até fácil. O problema, naturalmente, é que o limite do cartão de crédito acaba por se esgotar. E, infelizmente, ainda não sabemos viver distantes do consumo, feito os hippies de Trindade ou Ilha do Mel. Em verdade, nem queremos levar uma vida que seja de abnegação e despreendimento. Muitas das projeções para um novo ano são, em verdade, tabelas de prováveis aquisições. Aquela cãmera fotográfica de muitos megapixels, aquele forte sapato, aquela reprodução de Renoir nalguma loja da Rua Marques de Itu. Tudo é desejo e vontade. E sabemos bem, nós consumidores de coisas e gente, o ano acaba por passar rápido. Em alguns meses, novas tralhas e novos conhecimentos.
E é exatamente o que mais precisamos aprender, com certa urgência: como viver bem, sem atropelos financeiros e cuidadosos com cada um dos trocados que temos no bolso. Numa sociedade como a nossa, talvez esta seja a chave para uma vida sem desassossegos. Contentar-se (e bem contentar-se) com tudo o que já conquistamos e esperar a melhor hora de... Mas será mesmo assim? George Best, grande jogador de futebol inglês, daqueles fanfarrões clássicos, certa vez cunhou um maravilhoso conceito endonista, numa frase simples e real: "minha fortuna eu gastei com mulheres, bebidas e carros velozes. O resto eu desperdicei". É isso. Condenável por qualquer sujeito alarmado de bom senso, o uso do dinheiro teve como exclusiva finalidade o prazer e a boa graça.
Ganhasse eu uns 50 milhões na bendita Mega-Sena, não teria outra atitude. Reservaria, para que a culpa social não me tomasse, algum trocado para o desenvolvimento dos mais carentes, com algum investimento em arte ou esporte. Algum para a boa família que eu tenho e da qual até me orgulho. O resto, efetivamente, seria gasto na difícil tarefa de me satisfazer. Em qualquer sentido.
Afinal, seguindo com o que já venho fazendo desde sempre, trabalharei e tentarei não entrar em ruína. Com um pouco de sorte, tudo seguirá bem. Mas não deixarei de sonhar, afinal, com um prêmio extraordinário, capaz de me levar a um tipo de existência ainda mais pleno de divertimentos. Afinal, a vida tem muitos e muitos aspectos - mas nenhum é tão importante quanto o divertimento deslavado. Mesmo que sejamos obrigados a viver um sem-fim de chateações para sustentar cada um de nossos prazeres.
Depois de algumas semanas de férias, voltar ao trabalho é mesmo um drama, dos mais intraduzíveis. Quase um murro, no meio da sonolenta face.
E é exatamente o que mais precisamos aprender, com certa urgência: como viver bem, sem atropelos financeiros e cuidadosos com cada um dos trocados que temos no bolso. Numa sociedade como a nossa, talvez esta seja a chave para uma vida sem desassossegos. Contentar-se (e bem contentar-se) com tudo o que já conquistamos e esperar a melhor hora de... Mas será mesmo assim? George Best, grande jogador de futebol inglês, daqueles fanfarrões clássicos, certa vez cunhou um maravilhoso conceito endonista, numa frase simples e real: "minha fortuna eu gastei com mulheres, bebidas e carros velozes. O resto eu desperdicei". É isso. Condenável por qualquer sujeito alarmado de bom senso, o uso do dinheiro teve como exclusiva finalidade o prazer e a boa graça.
Ganhasse eu uns 50 milhões na bendita Mega-Sena, não teria outra atitude. Reservaria, para que a culpa social não me tomasse, algum trocado para o desenvolvimento dos mais carentes, com algum investimento em arte ou esporte. Algum para a boa família que eu tenho e da qual até me orgulho. O resto, efetivamente, seria gasto na difícil tarefa de me satisfazer. Em qualquer sentido.
Afinal, seguindo com o que já venho fazendo desde sempre, trabalharei e tentarei não entrar em ruína. Com um pouco de sorte, tudo seguirá bem. Mas não deixarei de sonhar, afinal, com um prêmio extraordinário, capaz de me levar a um tipo de existência ainda mais pleno de divertimentos. Afinal, a vida tem muitos e muitos aspectos - mas nenhum é tão importante quanto o divertimento deslavado. Mesmo que sejamos obrigados a viver um sem-fim de chateações para sustentar cada um de nossos prazeres.
Depois de algumas semanas de férias, voltar ao trabalho é mesmo um drama, dos mais intraduzíveis. Quase um murro, no meio da sonolenta face.
Oferecido por
Gérri Rodrian
Assinar:
Postagens (Atom)
