O humanidade em breve terá o seu devido (e merecido) fim? Segundo o mais recente relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), órgão criado pela ONU, integrado por centenas de especialistas ambientais de toda a esfera, cujo fim é nos alertar para a decadência irreversível deste planeta, o fim já começou. Mas a verdade é que o ser humano é uma praga e conseguirá sobreviver a todo custo - a população provavelmente diminuirá abruptamente e permanecerá ainda por milhares de anos a contribuir com a destruição de todas as coisas, até que nos restem somente as pedras.
Será complicado viver num planeta-sauna, sem água e desviando a todo instante de terremotos e tempestades. E será um verdadeiro campeonato brutal por um copo de água. Cerveja e vinho, então, somente para quem possuir grana em demasia. Muito daquilo que hoje desfrutamos já com certa regalia, nos custando alguns trocados, será ainda mais caro e raro, pra se ter apenas umas poucas veses pela vida, tal qual um simples gole de café ou um cacho de uvas.
A vida será mesmo bem desagradável, sobretudo para os velhos lascados - o que bem provavelmente será o meu caso. Se hoje, qualquer 25 graus já me escalpelam, aos sessenta anos eu serei literalmente cozido pelo calor que há de se expandir por meses e meses, em estiagens intermináveis. Haverá um dia em que Vidas Secas e Morte e Vida Severina serão considerados guias de sobrevivência.
Pobre de quem for pobre. E pobre de quem acreditar que todas estas recomendações são alarmismos de gente ociosa. Somente acho que jamais podemos subestimar a capacidade do ser humano de foder ainda mais com as coisas e continuar existindo, feito baratas sobreviventes ao holocausto. Se há alguém otimista com o futuro, o é por não ter ainda olhado com atenção para o que Homem tem feito desde o princípio de sua existência. O cenário é mesmo desolador.
Mas o que me preocupa agora são as minhas férias em março. Logo o planeta começará a degringolar de raiva e será bom eu já ter conhecido Buenos Aires ou, ao menos, as cataratas do velho Iguaçu. E já que o mundo vai mesmo acabar - e com ele as lembranças de toda a presente civilização, melhor aproveitar, experimentando toda sorte de prazeres. Se livros e esculturas permanecerão, os nossos pecados serão rapidamente apagados da memória deste mundo. Antes que cheguemos a uma nova era medieval, de reconstrução e paciência, vivamos, aproveitando o que nos resta de uma bonança que em breve restará apenas nos livros de história.