terça-feira, junho 26, 2007

Ufa! De volta.

Depois de uma tarefa hercúlea, estou eu de volta - certamente sem o mesmo ímpeto de outrora - a este querido blog, onde as neuroses ganham metáforas que mesmo o mais sabido dos leitores não pode flertar. Terminei FENICES, meu primeiro romance, com suas quase quinhentas páginas. É bem verdade que preciso ainda revisar alguns capítulos, mas não é fácil escrever uma obra, reescrevê-la em seguida e ainda revisar de imediato. O capítulo em questão está em minha bolsa e a qualquer hora me entregarei a ele. Mas sem neurose - afinal a publicação de tão obscura obra é coisa incerta e não sabida. A pressa seria uma inútil tolice.

De resto, a vida seguiu adiante. Mudei-me de casa novamente e o trabalho de funcionário público bem me remunera e enforca de tédio. A esposa continua bonita e teimosa, os meus cães continuam com os focinhos gelados e eu ainda me pego insatisfeito com o horizonte das coisas todas. Nada mudou e tudo mesmo mudou. Ninguém é o mesmo depois de escrever um tão radical romance. Mesmo que eu já tenha escrito um sem-fim de coisas desde os treze anos, nada roubou-me tanto.

Basta dizer, aliás, que eu sonhei seguidas vezes que possuía o mesmo infortúnio de meu personagem Gustave Firle. Um dia talvez o leitor saiba do que se trata. Talvez. Esta coisa de criar, mesmo que seja cercada de todo zelo e humilde genialidade, não vai garantir em nada o sucesso de tanto empenho. E para um sempre dramaturgo que resolveu se dedicar ao romance, a tarefa foi mesmo satisfatória. No momento mesmo, já me pego a imaginar o que farei no semestre seguinte - porque até lá, caros e imaginados leitores, eu dedicarei-me quase que exclusivamente à música. Há muito tempo, desde Em outubro, flores! (2004), não me dedico a compor. Tenho estudado piano e assim será.

Portanto, nesta terça-feira fria e opulenta, em que já me entupi desmedidamente de pães de queijo, volto a postar - certamente, repito, sem o mesmo ímpeto - neste meu colorido blog. Se houver ainda quem se lembre deste espaço, que compartilhe comigo de alguma coisa. Se não houver, a tal solidão de escrever seguirá também, com prazer e doçura. Os escritores - mesmo os piores - acostumam-se logo à solidão da arte.

quarta-feira, maio 30, 2007

Após uma longa jornada noite adentro.

Ufa! Há poucos instantes, depois de muito esforço e prazer, terminei FENICES, meu romance. O cansaço ainda me impede de fazer altas considerações e já prosseguir com este blog. Amanhã talvez. Mereço mesmo um bom descanço. Foi uma longa fase de pensar e repensar sobre a dor e a ausência. Mesmo depois de ter escrito tantos e tantos poemas, muitos dramas de estrutura difícil, somente agora - depois da produção de um extenso texto - senti nas mãos e nos olhos toda peso desta minha sina. Sou um escritor e agradeço-me pela decisão que tomei há tantos anos, quando parecia não me caber outra atividade além de parir histórias e amamentar muitos personagens. Ufa! Sinto-me agora com a cabeça novamente leve... Acariciada pelo orgulho e pela ansiedade. Se terá o livro a mais bela sorte, não sei. Dei-me a ele com farta intensidade e o amo, como também amo tudo o que já escrevi antes. Que ele seja um belo filho e leve todos os meus muitos devaneios para o coração de muitos leitores. Ufa! Agora descanço um pouco. Feliz, irremediavelmente feliz. Sabendo que não demorará muito para que novamente eu me entregue a tão deliciosa e dolorosa tarefa.

sexta-feira, abril 13, 2007

Abandono e causa justa.

Queridos leitores, ando a escrever Fenices, longo longo romance, com dedicação interminável. Creio que nas últimas semanas de maio tudo já estará pronto e enfim poderei voltar às crônicas e postagens. Em breve, oxalá!, um novo trabalho estará feito, marcando cada vez mais a minha sempre apaixonada busca pelas boas palavras.