A verdade é que eu estava a procurar por vídeos relacionados ao grande e pequeno Toulose-Lautrec, um dos artistas que mais admiro - por razões diversas. Mas o acaso levou-me ao vídeo abaixo: uma apresentação de Ella Fitzgerald e Ray Charles, no afamado Moulin Rouge, com interpretação despojada de Route 66. E tudo aquilo que eu deveria dizer acerca da obra colorida de Lautrec acaba por se esvair de minha cabeça ainda mal acordada. Mas a questão é que esbarrei, também por acaso, à original Route 66, interpretada por Nat King Cole. E tudo ficou meio sem rumo. E tudo acaba por ficar assim: duas deliciosas versões do clássico de Bobby Troup, de 1946. E nada de Toulouse-Lautrec. Ao menos por enquanto.
quarta-feira, junho 27, 2007
Quebec
Os belos olhos da canadense Chantal Renaud e a canção Comme um garçon, sucesso em 1968.
Oferecido por
Gérri Rodrian
terça-feira, junho 26, 2007
Coisas.
Não sei ao certo o que eu deveria me dizer, neste retorno ao blog. Nem sei ao certo se eu realmente deveria dizer qualquer coisa, feito a obrigação de cumprimentar um amigo que chega ou retorna. Nem sei se é certo ter um lugar em que se escreva tão pessoais observações, correndo o risco de ser redondamente criticado. Nem sei se é certo gostar de escrever o que ninguém mais suporta ler. Não sei. Nem sei nada. Mas durante a minha ausência - e foram três meses! - senti falta de olhar as coisas todas. Hoje por exemplo, andei a buscar por obras de Henri de Toulouse-Lautrec. Ora! Quanto regozijo, quanta apreciação. Este blog não é mais nada além de um grande desejo de revisitar coisas, com propósito. E tendo vivido os últimos tempos a mastigar e regorgitar as mesmas e tristes tragédias de FENICES, cujo mote principal é a morte e o aproveitamento da vida, vi-me bem longe do frescor de algumas visitações.
E disso tudo o que sei, é certo, é que há coisas que não nascem da vaidade ou do simples ocupar-se de coisas para burlar o tédio. Há coisas que são sem explicações rasas. Fazemos o que é necessário e, mesmo nos doendo o corpo, seguimos adiante - cansados e se desfazendo em mórbida preguiça. O primeiro romance foi escrito e, salvo engano abobado, será apenas o primeiro deles. Foi uma experiência bem dolorosa e sempre me via a pensar no que sentiu Dostoiévski durante a construção de Os Demônios. Como é que se é escritor sem uma enorme bigorna a nos despencar na cabeça? E mesmo que alguém venha a dizer que a experiência é incômoda pelo esforço da cabeça pouco fértil, devo logo declarar que o pânico vem mesmo das muitas revelações que o autor é obrigado a se fazer.
Talvez os leitores jamais saibam. Mesmo aqueles que eventualmente se dediquem ao meu livro, com fins acadêmicos, por algum motivo obscuro. Mas o livro é repleto de coisas que eu trouxe dos mais fundos cantos da memória. O medo da morte cresceu e eu por diversas vezes encarei tantos temores com a hombridade possível. Tudo porque havia em mim a vontade ou a precisão de dizer de tanto temor, que é meu e é de tanta gente.
Acima, uma das maravilhosas obras de Toulosse-Lautrec, o qual me servirá de assunto amanhã. Abaixo, um vídeo manjado e clássico, em que a história da arte vai passando diante de nossos olhos ao som de Bach. São coisas das quais me utilizei durante os últimos meses, quando a cabeça parecia fervilhar de tanta bagunça. Quando eu nada suportava, recorria às cores alheias - e a cor certa pode transformar a mente tomada pelo negrume da morte.
E disso tudo o que sei, é certo, é que há coisas que não nascem da vaidade ou do simples ocupar-se de coisas para burlar o tédio. Há coisas que são sem explicações rasas. Fazemos o que é necessário e, mesmo nos doendo o corpo, seguimos adiante - cansados e se desfazendo em mórbida preguiça. O primeiro romance foi escrito e, salvo engano abobado, será apenas o primeiro deles. Foi uma experiência bem dolorosa e sempre me via a pensar no que sentiu Dostoiévski durante a construção de Os Demônios. Como é que se é escritor sem uma enorme bigorna a nos despencar na cabeça? E mesmo que alguém venha a dizer que a experiência é incômoda pelo esforço da cabeça pouco fértil, devo logo declarar que o pânico vem mesmo das muitas revelações que o autor é obrigado a se fazer.
Talvez os leitores jamais saibam. Mesmo aqueles que eventualmente se dediquem ao meu livro, com fins acadêmicos, por algum motivo obscuro. Mas o livro é repleto de coisas que eu trouxe dos mais fundos cantos da memória. O medo da morte cresceu e eu por diversas vezes encarei tantos temores com a hombridade possível. Tudo porque havia em mim a vontade ou a precisão de dizer de tanto temor, que é meu e é de tanta gente.
Acima, uma das maravilhosas obras de Toulosse-Lautrec, o qual me servirá de assunto amanhã. Abaixo, um vídeo manjado e clássico, em que a história da arte vai passando diante de nossos olhos ao som de Bach. São coisas das quais me utilizei durante os últimos meses, quando a cabeça parecia fervilhar de tanta bagunça. Quando eu nada suportava, recorria às cores alheias - e a cor certa pode transformar a mente tomada pelo negrume da morte.
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Gérri Rodrian
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