quarta-feira, agosto 08, 2007

Atraso.


Com algum atraso, disponibilizo a capa da edição de 25 de março, época em que eu estava começando a me ocupar com a nobre tarefa de escrever Fenices. Naturalmente, esta capa nasceu feito um parto de criança entalada, uma vez que de minha memória surrada esvairam-se as padronizações de pixels e tudo o mais. Mas assim vai, do jeito que me for possível, no que tempo que me restar.

terça-feira, agosto 07, 2007

Tarde.


A tarde já não me parece como a manhã e vem mais barulhenta e de uma secura inapelável. Muitos foram os goles de água e café, mas o que nos cerca é apenas uma quentura de deixar as narinas quentes. E mesmo o movimento das coisas todas veio para abundar uma ligeira vertigem por entre as horas desta terça-feira ainda tão boba. No mais, andava eu procurando por uma certa imagem, por conta de um trabalho que agora faço, e reencontrei o sítio La Scultura Italiana, bem bacana página para revisitarmos um Rodin, acima, ou um Girardon, abaixo. Não é exatamente um sítio grandioso, com vultuosas galerias - mas é certamente um bom ponto de partida para aquele que desejar ver arte de gente grande, nesta terça-feira de tamanho incerto.

Ilustração.

Hoje o mundo me pareceu modorrento, logo pela manhã, sem gente combinando felicidade, sem sorriso que esparrama mesmo nos mais feios vagões do trem de grandes ruídos. Nada. A terça-feira me pareceu cansada, vivida pela obrigatoriedade existencial, a qual certamente não nos permite descansos de qualquer tipo. Pareceu-me de repente que todos os milhares de transeuntes daquela Barra Funda fria tiveram como eu uma noite mal dormida, resvalada em tosse seca e sonhos de nenhum conforto. Pareceu-me que ninguém estava feliz e que jamais qualquer um de nós se lembraria desta manhã, deste dia, em algumas semanas. Que jamais nos recordaríamos desta terça-feira fria e quente, poluída de nos deixar a cabeça tonta - porque não há mesmo o que se lembrar de tão anódina hora.

Mas vez ou outra o universo faz disso: inventa manhãs difíceis e tediosas pra que a gente tenha raiva, insegurança, consciência. Pra que a gente reflita sobre a sobrevivência, sobre a usança que a gente faz da própria vida. Em geral, convenhamos, o resultado destas reflexões canhestras não é sempre positivo. Quase nunca é. A atmosfera tem força de nos levar para baixo a cada segundo, cada vez com mais peso de carregar nas costas.

Manhã desassossegada. Manhã de querer morrer um pouco, por alguns dias. E nem por isso exatamente ruim. Quem puder compreender, que saiba: os paradoxos nos engendram. Às vezes é bom pisar num chão duro e irregular.

Obs.: para a alegria da manhã, Portishead, com o clássico Glory Box.