quarta-feira, setembro 12, 2007

Consideração sobre a parvoice.


Nada mais incompreensível para a população pobre deste mundo que a ópera, o cinema experimental e a moda. E se existe neste mesmo mundo um parvo que almeje a elegância - desejando absorver alguma cultura, tais elementos são de apreciação fundamental. Se ouço, e é certo que muito já ouvi, que poesia é coisa de fresco ou que o tal cinema experimental (e muitas vezes nem tão experimental como se pode supor) é coisa de chato ou que ópera é coisa de quem nasceu velho, eu mantenho-me calmo - apesar da cólera me subir pelas ventas. Se ouço, como já ouvi tantas vezes, nesta infame inversão de valores de nossos tempos, que leitura empobrece a vida, quase me enfureço. Mas nada me parece mais cretino que não notar a importância e beleza dos desfiles de moda, os quais nos trazem verdadeiras riquezas artísticas, traduzindo a época em que vivemos. Pois pensemos: a ópera está por vezes em italiano e o cantor se comunica de modo diferente. O cinema experimental exige filosofia e dose certa de paciência. A própria poesia exige grave educação, tal qual a literatura pode bem nos estouvar, como o fez a Bovary e ao fidalgo Quixote. Sim, são argumentos que deveríamos levar em conta, antes de alguma condenação. A moda, porém, é o que vê e se veste, sem mais impedimentos! Se houver nesta esfera, um parvo qualquer, desejoso de melhor compreender a arte, siga-me este conselho: a apreciação de desfiles de moda é essencial.

Quase parafraseando o meu grande e querido amigo Honoré, francês de muito faro, uma verdadeira apreensão da arte não deveria ignorar jamais o que se vê na moda. E vale dizer que o meu tal amigo francês referia-se com toda propriedade aos gatos, os quais, na natureza, carregam em si a fineza da arte e da elegância e nem precisam de roupas para lhes cobrir as vergonhas. E se as exigências para a apreciação da moda são maiores que os meus olhos podem ver, largo comigo que nada me parece mais elementar: que roupas daquelas que vejo eu gostaria de ver cobrindo a pele da senhora minha musa? Acima, por exemplo, três peças da L.A.M.B., as quais eu chamaria de fantásticas. A tal senhora minha musa bem vestiria tais peças, tivesse eu alguns centavos a mais em minha carteira. Abaixo, mais exemplos do que anda aparecendo na semana de Nova York deste ano. Do desfile inspiradíssimos da Lacoste:



E ainda mais, abaixo, peças de Betsey Johnson:


Ó quão graciosa minha Gala Éluard ficaria nestas peças, a andar comigo por alguma melhor praça que aquelas a que estamos devidamente habituados, moradores de tão desajustada cidade. Abaixo, para cessarmos com as demonstrações, peças de Michael Kors, as quais tornariam tão elegante minha Lésbia quanto posso eu imaginar, em meus mais elegantes sonhos de enriquecimento fortuito.


Diante dos exemplos acima, não creio que seja exatamente difícil convencer algum desavisado da importância da apreciação estética que se possa fazer dos panos e cores que podem vestir uma mulher e um homem, não obstante eu não ter lhes apresentado exemplos do gênero masculino, o que não o fiz por um motivo pouco elevado: é mais verossímil sonhar com a elegância alheia que exatamente com a própria, uma vez que me contento mesmo com a minha simplicidade deselegante de suburbano intelectual, sabedor de que meus bolsos andam mesmo vazios, num vácuo que me lembra o infinito do espaço cósmico.

terça-feira, setembro 11, 2007

Então.


Sem mais delongas, Stan Getz, John Coltrane e Wynton Kelly. O resto fica para depois. Bem para depois.

La moglie.


Justificando a presença de Laura Chiatti, atriz italiana, de boniteza tão natural, na capa que farei nesta semana, recorro a expediente dos mais invulgares. Não vi qualquer um de seus filmes, embora siga abaixo trailer de seu filme de maior projeção, creio eu. Nem saberia o que dizer, além de ponderar sobre a beleza das mulheres, coisa que já o fiz inúmeras vezes. E, sem embargo, fiz num átimo, novas poderações que eu deveria colocar neste blog de leitores inexistentes, a fim de seguir com o meu treino nesta arte difícil que é escrever com sagacidade. Mas a verdade, além dos motivos acima expostos, é que já não me suporto com tanta verborragia. Então, mesmo desconfiando que diria algo de alguma graça, visto que me recordaria de um tal velho viajado pelo mundo e as descrições que fez das mulheres do vasto mundo, por algumas horas me calarei - e calarei mesmo o meu cérebro, não me permitindo pensar por algum tempo em nada que se refira às filosofias acidentais deste mundo. E, em hora oportuna, volto ao caso, o qual deverá ter algum elevado ensinamento àqueles cuja devoção à beleza é maior que à devoção aos instintos.