Sobre "Fenices: uma fantasia sobre a morte", romance perturbador que escrevi entre o final de 2006 e maio de 2007, devo afirmar antes de tudo: não sei ao certo o quanto é, de fato, perturbador.
Talvez o tenha sido para mim, neste desgastante processo de escrever um livro de 166 mil palavras e tantas mortes e estranhezas. E pode ser que seja leve para gente toda de 2024. Vimos todos tantas crueldades pela vida fora que estamos sempre mais resistentes ao horror. Embora, me pareça certo, existam sensações e calafrios que estejam acima ou abaixo daquilo tudo que nos é cotidiano.
Outra coisa que talvez importe dizer é que "Fenices" deve ferir todos as atuais regras estabelecidas, o compromisso ético e social. É provável que alguns leitores se enojem ou rejeitem aquilo que foi preciso para contar a história de um herói, afinal, demoníaco.
Mas a verdade, também, é que este romance tem mais delicadeza e lirismo do que pode parecer, à primeira vista. Por isso até nem seja de perturbar como pretensiosamente afirmo. E encante mais, pois entre tudo o que a morte corrompe, há o humano em seu certo destino: viver, amar e — claro — ser corrompido.
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