Lá pelo comecinho de 2009, David Rock, produtor e diretor, me ligou e fez um pedido: queria uma nova adaptação, para teatro, de “O Cortiço”, um romance cheio de gente e lugares e palavras.
Gostei do desafio, matutei, e escrevi a minha visão para a obra de Aluísio Azevedo. A obra ganhou Prêmio Estímulo Proac/SP, foi montada, brilhantemente, e permaneceu em cartaz.
Com apenas dezesseis personagens e recursos audiovisuais, pensados para a economia de recursos materiais, “O Cortiço de Aluísio Azevedo” traz um bom equilíbrio entre todos os personagens, em cenas ágeis, e é também uma boa sugestão para grupo de atores iniciantes.
E todo brasileiro gosta de “O Cortiço”. Poucas obras literárias conseguem ser tão essencialmente brasileiras e atemporais, em seus conflitos e personagens. Reescrevê-la foi um exercício natural e saboroso, como se eu estivesse a tratar de personagens que conheci por aqui, na minha cidade, no meu tempo.


