
quarta-feira, setembro 11, 2024
Osasco, recordista de uma desgraça

sexta-feira, agosto 23, 2024
Em vão.
Curiosidade. Escrevi “Em vão”, num sábado solitário em 15 de março de 2003.
Além de tudo o que representam pra mim, filhas, minhas 190 músicas são fotografias do meu álbum. Cada uma delas me leva a cantos da minha vida, alguns até bastante desagradáveis e muitos das quais eu já teria me esquecido por completo, não fosse a filha nascida.
“Em vão”, balada romântica, tem três partes que nasceram cada uma em diferentes tropeços e épocas, e que só puderam receber letra e forma nesse tal sábado citado em que me senti triste o suficiente para forjar a unidade com as três melodias.
Hoje, vinte e um anos depois, talvez eu tivesse motivo para estar triste o suficiente para finalmente gravar e produzir uma canção que seria, afinal, o supra sumo dos meus dissabores.
Mas não. Não estou triste hoje, nada disso.
Estou é querendo livrar-me de tanto sentimento de abandono, vibração démodé que os jovens de hoje acham até caso para psicanalista.
Quem é que em pleno 2024 ainda morre de amor? Eu?
Que a canção pelo menos vá para os catálogos, como fotografia de um lirismo que se perdeu.
Quem é que ainda é tão bobo capaz de morrer de amor, afinal?
quinta-feira, agosto 22, 2024
Poema Honesto
Foram tantos os caramelos e torresmos,
tantas as tigelas de mingau,
que eu deveria hoje ser morbidamente gordo.
Mas não sou e tenho fome ainda.
Foram tantas as substâncias,
tanta boemia e festas,
que eu deveria ter perdido o senso e me dar por satisfeito,
já sereno em cansaço.
Foram tantos os amores e carinhos,
tantas as bocas em delírios,
que eu deveria hoje estar pleno por tanto amor que me deram.
Mas não estou.
Eu não deveria reclamar e maldizer a vida.
A vida me deu pouco,
que tudo o que tenho, se tenho
conquistei em aventuras de Hércules.
Eu não deveria me sentir pobre, maltrapilho.
A vida me deu muito
e sei bem dos tesouros que vi pelos olhos
e guardo comigo.
Sou um milionário das experiências doces.
Lembranças não alimentam a boca
mas iluminarão as noites que virão.
Lembranças, tantas, que eu deveria por aí andar feito bobo sorrindo.
Mas não.
Vez ou outra só, distraído.