Volto para o trabalho, naquela repartição de ar rarefeito da Rua Líbero Badaró, tão somente no dia 26 de março. Tenho, portanto, um bom tempo para me dedicar a este blog, além do usual. Mas ainda é mesmo cedo para me comprometer com alguma produção, alguma realização qualquer. Ainda é cedo para que eu me envolva em tarefas ou faça arrumações e consertos. Em verdade, é cedo para qualquer coisa. Sobretudo para reflexões, planejamentos, para o exercício do tédio. É cedo. Definitivamente é.
sábado, fevereiro 17, 2007
Cell Block, Chicago.
Clássica cena de Chicago, com Catherine Zeta-Jones. E por esta semana basta. Sempre haverá tempo para novas divagações.
Oferecido por
Gérri Rodrian
Um poema agora nascido.
São 05h55min. A madrugada logo dará lugar à manhã. Eu me encontro ainda sem sono, atônito em verdade, como a esperar por uma notícia, uma idéia, uma palavra qualquer que mereça a minha atenção. Em verdade, sinto-me como há muito tempo, numa tensão pré-natal criativa; sinto-me grávido, esperando na barriga um novo texto. Desde maio de 2005, nenhuma idéia me atrai, nenhum...
...por alguns minutos boiei. Lapsos temporais. Nada exatamente concreto. Imagens dos últimos anos, meses - não sei ao certo. E mesmo sabendo que não é a primeira vez que passo tanto tempo longe da produção de um texto, não devo...
...cismei novamente. Uns cinco ou dez minutos se passaram... talvez mais. A fumaça do cigarro despertou-me do leve transe, fruto de um sono mal resolvido, de um cansaço que não me atinge por completo e, sobretudo, fruto do mais elementar desinteresse. Assim me vejo: um escritor desinteressado, sem par com isso tudo. Alheio.
Mas que afinal me seria interessante escrever agora? Tudo o que poderia me aborrecer neste mundo não me serviria de mote, não me permitiria desesperar por um punhado de versos. Escrever, então, sobre a utopia, sobre a fuga? Sobre a moralidade ou imoralidade desta sociedade? Tudo tem me parecido extremamente aborrecedor - ora, os problemas todos andam tão complicados e desagradáveis que me pareceria quase um masoquismo se debruçar por semanas, meses, construindo um texto que contivesse a raiva e o pessimismo necessários.
Mas há tempos todos nós sabemos que um grande escritor é antes de tudo um "interessado convicto", alguém que tem do mundo um deslumbramento, uma rediviva busca pelo entendimento. E, nestes meses que se passaram, não tenho tido mesmo interesse pela explicação das coisas, pela compreensão, pelo ser humano e seus pavores...
...o relógio marca agora 07h07min. O sol já bem raiou. E continuo desinteressado. Percebo que o dia será belo. Da janela de meu escritório, percebo que um bom punhado de pessoas já se levantou e enfrenta a manhã depois de noite dormida, sonhada. Eu escrevo a esmo - sentido o tempo se esvair depressa... A esmo já escrevi tantos poemas. A esmo contribuo com a banalidade do mundo.
E continuo a esperar que talvez, a esmo, uma idéia venha me seduzir.
...por alguns minutos boiei. Lapsos temporais. Nada exatamente concreto. Imagens dos últimos anos, meses - não sei ao certo. E mesmo sabendo que não é a primeira vez que passo tanto tempo longe da produção de um texto, não devo...
...cismei novamente. Uns cinco ou dez minutos se passaram... talvez mais. A fumaça do cigarro despertou-me do leve transe, fruto de um sono mal resolvido, de um cansaço que não me atinge por completo e, sobretudo, fruto do mais elementar desinteresse. Assim me vejo: um escritor desinteressado, sem par com isso tudo. Alheio.
Mas que afinal me seria interessante escrever agora? Tudo o que poderia me aborrecer neste mundo não me serviria de mote, não me permitiria desesperar por um punhado de versos. Escrever, então, sobre a utopia, sobre a fuga? Sobre a moralidade ou imoralidade desta sociedade? Tudo tem me parecido extremamente aborrecedor - ora, os problemas todos andam tão complicados e desagradáveis que me pareceria quase um masoquismo se debruçar por semanas, meses, construindo um texto que contivesse a raiva e o pessimismo necessários.
Mas há tempos todos nós sabemos que um grande escritor é antes de tudo um "interessado convicto", alguém que tem do mundo um deslumbramento, uma rediviva busca pelo entendimento. E, nestes meses que se passaram, não tenho tido mesmo interesse pela explicação das coisas, pela compreensão, pelo ser humano e seus pavores...
...o relógio marca agora 07h07min. O sol já bem raiou. E continuo desinteressado. Percebo que o dia será belo. Da janela de meu escritório, percebo que um bom punhado de pessoas já se levantou e enfrenta a manhã depois de noite dormida, sonhada. Eu escrevo a esmo - sentido o tempo se esvair depressa... A esmo já escrevi tantos poemas. A esmo contribuo com a banalidade do mundo.
E continuo a esperar que talvez, a esmo, uma idéia venha me seduzir.
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