sábado, outubro 05, 2024


Não sou amargo e por vezes me parece que a amargura é mais um desvio de caráter que uma condição natural. Sempre andei de bom humor, até nas chamadas horas impróprias. Busco a leveza e trago comigo aquela proposição do carteiro Jaiminho e evito a fadiga e os desassossegos. 

Foi também aquele poeta Ricardo Reis quem me ensinou. Noutras palavras, ele dizia “não esquenta”. Aliás, pena que pouca gente se lembre daquele personagem genial de Tony Ramos, o Edgar, em A Comédia da Vida Privada, de 1994, que vivia metendo o copo de uísque na testa dos outros, dizendo “não esquenta”.

Disseram que era eu encarnado na televisão.

E de fato eu não me importo mesmo com muita coisa. Não me importo com o que falam de mim, o que pensam, julgamentos. Não me importo se me consideram um imbecil ou um gênio.

No entanto, uma coisa me traz questionamento: os supostos amigos que jamais fizeram qualquer apontamento, comentário, observação, qualquer palavra, sobre os meus trabalhos como escritor e músico.

Não digo de elogios, que isso nunca é coisa de se esperar, mas qualquer anotação, um “você que fez?” ou um “você, heim!” ou um “orra, que esforço”. Ou qualquer mísero grunhido ou miserável like.

Gente que me conhece há vinte, trinta anos, que despreza e não vê aquilo que é, efetivamente, o combustível e finalidade de minha vida.

Já disse, não esquento. Mas há algo a me dizer que o desprezo ofertado a minha obra deve ser traduzido sempre em algum outro tipo de desprezo, uma vez que não convém a amizade com quem nos enxerga pela metade.

quarta-feira, outubro 02, 2024

 

“Festa Igual” foi escrita em 19 de fevereiro de 2004, especialmente para o drama musical “Em outubro, flores!”. É a primeira canção do espetáculo que conta a história do boêmio trovador contratado para cantar para uma doente e meiga Amalle, uma de minhas personagens mais apaixonantes.

O lançamento desta versão se dá pela comemoração dos 20 anos da montagem que envolveu Kiko Pissolato, Juliana Mesquita e David Rock, e que foi um dos momentos mais incríveis de minha já razoavelmente longa existência.

Em alguns dias, a ser anunciado, a peça será publicada em versão digital no Amazon e versão impressa no Mercado Livre.

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sexta-feira, setembro 27, 2024

Em erro, em fuga, em peso

 


Escrevi este pop rock em 11 de setembro de 1992, na casa de um grande amigo, o já falecido poeta trágico André Luís Corrêa. Inclusive usei o violão dele, com cordas de aço.

Ele mesmo comentou naquele dia, um pouco antes: “suas músicas ou falam de amor ou falam de estrelas. Cadê a canção de protesto? Proteste!”

Eu havia tentado já criar canções para protestar, mas a coisa acabava sempre num filosofar existencial. Aceitei o desafio e enquanto ele foi resolver algo com a família, em cerca de meia hora escrevi a música toda, conforme se ouve hoje.

Quando ele voltou e lhe mostrei a música, tivemos imediatamente uma mesma impressão.

Novamente falhei. “Em erro, em fuga, em peso”, minha quinquagésima música, é novamente sobre a construção da alma, da identidade, e não exatamente sobre as condições do trabalho.

Claro, claro, o que vale é a interpretação do amigo ouvinte.

Esta versão, com gravação feita em dezembro de 2023, traz luxuosa colaboração do sempre sensato amigo e produtor musical Samuel Batista, na “cozinha” e nas preciosas críticas. 

Esta e muitas outras canções podem ser ouvidas na playlist “Gérri Rodrian”, em meu canal no amigo Youtube, onde centralizo minha atividade musical.