Para comemorar, de modo correto, os meus doze mil dias, Frank Sinatra! Primeiro, com You Make Me Feel So Young. Depois, com Mind if I make love to you?, com participação da monumental Grace Kelly, uma das mais belas fêmeas do cinema, em toda a sua história. E qualquer comentário, quando canta Sinatra, é bem supérfluo.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Terror.
Nada há que me irrite mais que filme de horror do tipo Jogos Mortais, cheios de cenas pitorescas e teoricamente nojentas. Em verdade, filmes deste gênero me levam apenas a alguma azia. E se a vida já nos dá tanto desgosto, filme de gente sendo cortada aos pedaços me parece tão somente um exagero no tempero ficcional destes nossos tempos. Compreendo quem goste, mas eu certamente prefiro ter um divertimento agradável e leve, feito um Can Can ou um Singin' in the rain. No entanto, como se precisasse justificar a presença de uma moça tão maravilhosa neste meu humilde blog!, publico o trailer do próximo filme de Elisha Cuthbert, Captivity, dirigido por Roland Joffe, o qual tem ao menos uma obra-prima em seu currículo: A Missão. Quanto à moça, que é realmente o que nos importa, neste blog de muitas reverências à beleza feminina, talvez me sirva para comentários noutra hora, como justificativa de lhe emprestar mais imagens, com o fim de dar beleza a esta virtual e íntima revista. Por ora, recomendo-lhe a visitação de sua página.
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Gérri Rodrian
Crônica dos 12000 dias.
Hoje, exatamente hoje, completo eu doze mil dias de vida. E nesta constatação de tão largo número sinto-me presa de sentimentos distintos e inconciliáveis. Se me atinge a alegria de sobrevivente, sabendo que passei por tanto, quase incólume e quase são, toca-me também a certeza de que os doze mil dias não me foram suficientes para que eu chegasse a qualquer canto de grande louvor. Confesso, e quem não confessaria?, que me orgulho por ter permanecido honesto àquilo que julgava de alguma correção - ao menos não saí pelas ruas a cantar o que me era funesto e nem precisei jamais usar de artimanhas escusas, detrantando, fingindo, mentindo o que quer que fosse para que eu obtivesse o quinhão que agora tenho. Disto me aprazo fortemente. Jamais precisei de máscara, o que me é motivo claro de satisfação, nesta data de tão longo tempo, suficiente para que muita máscara talvez fosse usada. Mas não as usei e a minha autenticidade é um escudo que carrego comigo a qualquer tempo. Se também deixei de muito ganhar, largando mão de artifícios vergonhosos, disto não faço alarde.
No entanto, não seria eu a me dedicar a louvor pessoal em tão claudicante segunda-feira: doze mil é pouco, ou foi-me pouco, uma vez que tenho dos meus retardos. Doze mil foi pouco e nem a mínima fração conheci daquilo que quero conhecer, nem nada ainda fiz - ou muito fiz, mas me é claro que somente agora, quando noto em mim assentar as doze mil poeiras de minhas vontades, consigo fazer como exatamente quero aquilo que meu talento, um velhaco de doze mil noites, ainda persiste em trazer à tona.
E doze mil noites, doze mil luas de prateado tão divergentes, doze mil vezes eu abri os olhos e desejei um dia de grande engenho e doze mil vezes eu abri os olhos e quis mais, com respiração ofegante e grande anseio! Hoje, exatamente hoje, eu me pego até melancólico - não por tristeza, frustração ou medo - porém pela fabulosa sensação de ter na memória um mundo vasto e vivido de coisas intangíveis, das quais eu posso tão somente ter reminiscência, vaga lembrança. Tantas vezes eu me vi feliz, tantas vezes eu me vi heróico - e tantas covarde, pequeno, trêmulo e coxo. Tantas vezes me vi perdido, confuso de quase parecer um débil sujeito, e nisto mais eu me ajeito para hoje gostar de mim. Assim, o que mais me gratifica nesta estradinha minha, meu leitor imaginário, é a superação que tive; é a minha paciência e a minha fé num deus complascente, tão distante de qualquer outro deus a qual alguém já tenho feito oração. Um deus de nenhuma existência além de mim e cujo rosto leva o meu próprio, em minha solidão existencial.
Assim, parabenizo-me. Contente e ufano, pela face limpa e pelo tanto que pude acumular de conhecimento e experiências que agradam aos intelecutais e ao lascivos. E enfadado e acabrunhado, naturalmente, pela certeza de que nenhum destes meus doze mil dias, mesmo os melhores, novamente me voltarão, para um deleite, para um conserto ou para uma mísera apreciação.
No entanto, não seria eu a me dedicar a louvor pessoal em tão claudicante segunda-feira: doze mil é pouco, ou foi-me pouco, uma vez que tenho dos meus retardos. Doze mil foi pouco e nem a mínima fração conheci daquilo que quero conhecer, nem nada ainda fiz - ou muito fiz, mas me é claro que somente agora, quando noto em mim assentar as doze mil poeiras de minhas vontades, consigo fazer como exatamente quero aquilo que meu talento, um velhaco de doze mil noites, ainda persiste em trazer à tona.
E doze mil noites, doze mil luas de prateado tão divergentes, doze mil vezes eu abri os olhos e desejei um dia de grande engenho e doze mil vezes eu abri os olhos e quis mais, com respiração ofegante e grande anseio! Hoje, exatamente hoje, eu me pego até melancólico - não por tristeza, frustração ou medo - porém pela fabulosa sensação de ter na memória um mundo vasto e vivido de coisas intangíveis, das quais eu posso tão somente ter reminiscência, vaga lembrança. Tantas vezes eu me vi feliz, tantas vezes eu me vi heróico - e tantas covarde, pequeno, trêmulo e coxo. Tantas vezes me vi perdido, confuso de quase parecer um débil sujeito, e nisto mais eu me ajeito para hoje gostar de mim. Assim, o que mais me gratifica nesta estradinha minha, meu leitor imaginário, é a superação que tive; é a minha paciência e a minha fé num deus complascente, tão distante de qualquer outro deus a qual alguém já tenho feito oração. Um deus de nenhuma existência além de mim e cujo rosto leva o meu próprio, em minha solidão existencial.
Assim, parabenizo-me. Contente e ufano, pela face limpa e pelo tanto que pude acumular de conhecimento e experiências que agradam aos intelecutais e ao lascivos. E enfadado e acabrunhado, naturalmente, pela certeza de que nenhum destes meus doze mil dias, mesmo os melhores, novamente me voltarão, para um deleite, para um conserto ou para uma mísera apreciação.
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